sábado, 8 de janeiro de 2011

Meramente chato

Por Adrieli Cancelier

Acabou o ano e eu nem percebi. Tantas coisas mudaram desde setembro, quando eu vi a Carol pela última vez.

Naquele mês mesmo nossas vidas já começaram a mudar, eu estava trabalhando no Censo 2010 quando fui chamada para fazer o teste físico para trabalhar de Leiturista na Copel (Companhia Paranaense de Energia Elétrica), fiz quase todos os testes com muita tranquilidade, mas quando chegou na corrida eu estava muito preocupada. Era provável que eu não passasse e eu nem acreditava nisso, mas depois que o Andrius passou na barra que ele não conseguia fazer eu estava um pouco esperançosa. Fui, corri e passei. Fiquei muito feliz e meu pai mais ainda.
Então no dia 13 de setembro eu me tornei uma funcionária pública.

Os primeiros 30 dias foram muito divertidos. O treinamento era cheio de bolachinhas de chocolate e bons almoços, mas quando eu me vi com o PDA numa mão, o espelho na outra e cheia de dúvidas eu percebi que ser leiturista não é muito fácil. Minha primeira rota tinha aproximadamente 700 leituras, aquela da Mateus Leme que pega um pouco antes do Shopping Muller. Terminei quase 19h.

Meu supervisor era o Elias.
Elias é um cara guerreiro e muito parceiro, ajudou-me muito nos meus primeiros dias.  Mas logo na minha primeira semana e para a surpresa de todos ele saiu e nos deixou preocupados sobre como seria a nova supervisão. Veio o Rhegis, chato, durão e chama a gente de retardados, mas certamente melhoramos muito.

Já temos muitas histórias para contar sobre a nossa vida de leituristas (que serão contadas nos próximos posts). Pensamos até em fazer um novo blog, mas acho que esse nome é bastante apropriado.

Bom, sobre as minhas metas, matei minha saudade da Carol e delas ressurgiram uma ainda maior, já comi o X do Los Hermanos, já choro menos e engordei. Um quilo. Agora peso 50kg, posso até doar sangue. 

Continuo na faculdade, mas neste semestre sem o Andrius. Minha nova meta agora é simplesmente terminar a faculdade logo e passar no concurso do Tribunal Regional Eleitoral. A última vez que fomos para Criciúma foi na virada do ano e agora só voltaremos na Páscoa, mas sei que mesmo indo pra lá não vou conseguir matar a saudade de todos. E esse post foi chato e meramente formal, porque ficamos muito tempo sem escrever, mas preciso cobrar do Andrius para que ele escreva sobre a festa da Pedra Moedeira.

sábado, 4 de setembro de 2010

Eu queria entrar, mas perdi a chave.

Por Adrieli Cancelier

Detesto clichês, mas parece que foi ontem.
Nós tínhamos um quarto cheio de coisas super divertidas, que talvez não parecessem tão divertidas assim, mas que nos fazia feliz, entre milhares de outras coisas...

Na verdade o quarto não era só nosso, mas como passávamos mais tempo nele, já tinha a nossa cara subjetiva, cheia de trocadilhos, melancólica e em preto e branco. E essas características que antes nos eram tão familiares e felizes hoje mais parecem a porta do abismo.

Nem sei direito o que aconteceu, mas é pra isso que eu sou fotógrafa, pra olhar aqueles segundos registrados e contar segredos que ninguém mais se lembra. E olhando aquela nossa foto sentadas sobre o skate na noite da prefeitura eu me arrisco a dizer que na verdade não aconteceu nada. A mesma felicidade clandestina ainda mora em mim, mesmo sem o teu abraço e sem teus olhos piscando devagar. Mesmo de longe, sem saber se você está assistindo TV naquele momento e pensando a mesma coisa, sem teus ciúmes e sem teus dramas, eu te sinto bem aqui comigo. Então entre poucas pessoas no mundo que me trazem plenitude, você é uma delas.

E quando eu penso em não sofrer que “o pra sempre, sempre acaba” eu volto naquela noite quente em Criciúma quando eu não temia a perda e lembro que somos amigas para sempre e que nada seria capaz de mudar isso.

E dizer que somos contra a internet seria um tiro em nós mesmas, jornalista e fotógrafa. Mas a verdade é que aquela janela pequena do msn de fato não é nem comparável à janela de um quarto cheio pela qual conversávamos há pouco mais de um ano.

Carol (dessa vez é a Grechi), se eu te visse hoje, na minha frente, eu desabaria numa pilha de lágrimas e sorrisos. Com certeza molharia teu ombro com a água de saudade dos meus olhos e nariz. Então domingo eu estarei aí, de volta pro meu aconchego, só por alguns dias e o número do meu celular está nos teus depoimentos.

Enquanto isso, dormirei na porta do quarto.
Eu queria entrar, mas perdi a chave.

domingo, 29 de agosto de 2010

Rinha de Coelhos

Por Andrius Luiz

Eu tinha inúmeras coisas importantes para realizar neste fim de semana, agora ele está no fim e não fiz maior parte delas. Tudo bem, fiz outras coisas muito importantes, como assistir vários vídeos engraçados no youtube e alguns programas do “Cala Boca Piangers” . Mas deixamos as coisas importantes de lado e vamos direto a perca de tempo, vamos direto a razão do post:
A característica mais marcante dos Curitibanos é ingenuidade. Isso não se deve ao clima, colonização ou localização, mas sim pela pouco contato que a cidade esteve comigo, estou aqui somente a seis meses, pouco tempo demais para que a população pudesse aprender que a história fantástica que conto nem sempre aconteceu além das fronteiras da minha imaginação. Mas essa história que conto agora é toda sincera.
Uma coisa que os curitibanos que tiveram contato comigo e com a Adrieli aprenderam e nunca mais esquecerão é que Criciúma é uma cidade utópica, quase que perfeita. Tudo de bom que a cidade tem eles sabem de cor, claro que nunca comentamos que Criciúma também tem seus pontos negativos, e que não são poucos. Mas tem um rapaz em especial que sabe que Criciúma não é somente uma cidade perfeita, mas também uma cidade lendária. Este rapaz é o Vagner, rapaz que trabalhou comigo durante quatro meses e carrega consigo a ingenuidade de trezentos curitibanos, mas graças a isso ele já sabe coisas que vocês só saberão agora.

1. Criciúma não tem mendigos nas ruas, pois a prefeitura remunera muito bem os moradores de rua.


2. Em Criciúma também existe dia dos namorados, mas somente os homens ganham presentes, pois é dia dos namorados e não namoradas.


3. O esporte popular da cidade é a rinha de coelhos, e todo ano tem um grande campeonato onde o campeão é o coelho “fofinho” (coelho da foto), meu coelho “esquipe” nunca foi campeão, mas sempre é um dos favoritos. A regra do esporte se resume em: Quem morrer ou perder uma das orelhas primeiro é o perdedor.


4. Dia 6 de Setembro é o dia da pedra moedeira, feriado municipal.


Única história que o Vagner não acreditou foi sobre os tornados corriqueiros que acontecem lá.
Sobre o dia da pedra moedeira contarei em um outro post pois não tenho tempo agora, tenho que procurar no Google o resumo do filme que eu deveria ter assistido hoje, mas graças ao Piangers não pude assistir.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Eu queria ser uma bomba

Por Adrieli Cancelier

No meu último post eu fiz um comentário besta sobre as bocas e os ouvidos. E talvez por estar na mesma frase em que eu falo sobre meus amigos pode ter gerado confusão.
Eu queria ser clara e dizer tudo o que aconteceu, mas esse não é um blog pessoal, e além disso eu sei que quem precisa vai entender.
Vou tentar me explicar e recuperar coisas importantes para mim.
Naquela sexta eu tinha ido no centro resolver umas coisas e ninguém estava afim de me escutar, todas as pessoas que me atenderam foram estúpidas e certamente tinham mais bocas que ouvidos. Ok, eu não devo generalizar, mas em primeiro lugar eu estava cheia daquele dia e eu precisava desabafar, mesmo que fosse com o meu notebook. Em segundo lugar este blog serve única e exclusivamente para eu e o Andrius contarmos como está sendo para nós essa nova vida, na maioria das vezes exageramos ou generalizamos porque sentimos falta da nossa terra. Isso não quer dizer que meus novos amigos tenham duas bocas e um ouvido, na verdade eu confesso que eles me fizeram mudar um pouco de opinião em relação aos Curitibanos, eles tem sido bons amigos pra mim. O que eu quis dizer com o meu último post é que eu gosto muito dos meus amigos daqui e que graças a eles eu vou conseguir me acostumar com pessoas que não são tão atenciosas e queridas quanto eles. Eu não vou negar que depois de tudo o que aconteceu minhas tristeza e saudade aumentaram, mas eu não desisto fácil. (EU TE ADORO AMIGA, ME PERDOA!)
Dia 4 eu vou pra Criciúma e tentarei me encontrar com a Jeh e com a Thami que estão esperando bebê, mas eu volto logo e eu espero que até lá as coisas tenham se resolvido.
Eu queria dizer mais uma coisinha. Eu cumpri mais uma meta, fui provar o lanche do Los Hermanos, é realmente muito gostoso. Comi um X Bacon e tenho que confessar que mesmo sem maionese caseira é melhor do que o do Jorginho. Mas que fique bem claro: o X de Criciúma é muito melhor!

I wish I was a neutron bomb, for once I could go off...

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Fraqueza

Ontem a minha aula foi no Museu Oscar Niemeyer, isso quer dizer que não encontrei o Andrius na hora do recreio como fazemos todos os dias.
Nos encontramos na entrada do MON e o professor estava atrasado, então resolvemos entrar sozinhos. O primeiro a aceitar o vinho foi o Breno (se a professora Cris descobre ela tira um ponto da gente, porque ela pediu pra cuidarmos bem dele), depois o Javã.
Orlando Azevedo pra lá, fotos pra cá, vinho pra lá e pra cá. Eu, a Mary, o Edu, o Bruno e a namorada dele saímos e fomos ao Shopping comer Bob`s e blá-blá-blá...
Saudades de Criciúma! Gosto tanto dos meus amigos de lá. Gosto tanto do X de lá.
Eu gosto muito dos meus amigos daqui também, mas acho que vai ser difícil eu me acostumar com pessoas de duas bocas e um ouvido só. Mas eu vou conseguir.
Portanto vou atribuir mais uma meta às antigas: comer o X do negocinho lá que a Mary e o Edu dizem ser o melhor da cidade. Como é mesmo o nome do negócinho? Los Angeles? Los Lancheles?

Então as minhas novas metas são:
1: Matar a saudade dos meus amigos.
2: Comer o lanche do Los Hermanos.
3: Chorar menos e engordar mais.

Desculpem a franqueza. Ou a fraqueza.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Eu sempre volto.

Por Adrieli Cancelier


Tomei vergonha na cara.
Depois do post do Andrius eu dei uma relida nos meus primeiros comentários sobre a vida póstuma de AdriCaramelo em Criciúma. É claro que das cinzas resurgiu uma vontade de escrever, mas só ela não seria capaz de me fazer estar com as pontas dos dedos congelando, a 00:26h, tendo que acordar cedão amanhã, escrevendo palavras soltas ao ar para que ninguém as lesse e eu não pudesse comentá-las com ninguém amanhã.
Então vou explicar a força íntfima que me surgiu assim de repente. Acabei de fechar o msn, que entrei apenas para falar com a Carol (a Patrício, não a Grechi) sobre photoshop e coisas relevantes ao nosso futuro. É claro que a essa hora (e tendo que acordar cedão) eu não iria mais responder a ninguém, mesmo que aquela janelinha alaranjada ficasse fazendo doer meu olhos por alguém querer um pouco da minha atenção. 
Porém (tudo tem um porém)... Meu amigo estudante de astrologia (com certeza é) sabe que eu sou de Leão. E a primeira frase dele foi: "Que lindas as tuas fotos adri!". E sem eu perceber eu já estava envolvida na conversa sobre blogs e afins. Essa foi a segunda força maior de hoje que me fez estar aqui agora.
A primeira força maior faz parte da minha nova vida.
Eu estava na faculdade (é, eu to fazendo) de Fotografia (aham! fotografia mesmo!) sentada na cantina pesquisando sobre Bob Gruen com as minhas novas amigas (isso! eu tenho novas amigas), quando meu celular tocou.
Eu não ouvi nada, a ligação caiu. Mas o DDD era 48 e isso me fez imaginar que era a Cindy e a saudade bateu bem forte .Eu entrei no meu blog de fotografia pra me sentir mais perto dela e enfim... Estou aqui.

Desde a minha partida muitas coisas mudaram. Meus cabelos cresceram mais, eu emagreci mais, eu fotografei mais, eu chorei mais, eu gripei mais. Mas os meus dilemas (que se transformaram em metas) foram quase que 100% resolvidos.
Relembrando:
Plano número 1: Matar a saudade dos meus amigos. (falta muito ainda)
Plano número 2: Continuar a faculdade. De preferência na UFPR. (ok, não estou continuando, estou começando outra e nem é na Federal)
Plano número 3: Arrumar meu celular. (não arrumei, mas comprei outro... piorzinho)
Plano número 4: Passar num concurso público. (passei em alguns, já assumi um e fui chamada em outro)
Plano número 5: Fazer novos amigos em Curitiba. (a parte que eu queria chegar)

Curitiba é praticamente a mesma coisa de quando eu cheguei, o mesmo cheiro de xixi, cachorro e maconha. Ainda morro de saudades do X do Bico de Pão... Até mesmo do Jorginho. As pessoas continuam sendo mal educadas demais ou legais demais.
Mas ser legal demais até que não é tão ruim, conheci uma menina legal demais que tem os cabelos curtos como se estivesse nos anos 70 e os olhos azuis de piscina que eu quase sempre mergulho neles. A retina deve ser muito transparente porque neles refletem toda a luz do mundo. E ela tem um AllStar de estrelinha igual o meu. Ela fala que nem o homem da cobra, fala de tudo e de todos o tempo todo, se estressa fácil e  apesar disso tá sempre com aquele "sorriso labial". É a Mary Ellen (que se lê Mery). Sinto a falta dela quando ela se cala.
Outra pessoa legal demais que conheci foi a Dienifer, que eu chamo de Dieni e que me chama de Dika. A Dieni tem os cabelos vermelhos encaracolados, tem 18 anos e é de Cancer. Ela chega atrasada nas aulas e gosta de Coca Cola. Ela é um tanto desligada, mas quando eu preciso de alguém é ela quem me ouve.
Existem outras pessoas legais demais no meu novo mundo. A Ana, a Carol, a Andressa, o Breno (mesmo sendo de escorpião), o Bruno e o Javã. São meus novos amigos.
E se eles se sentem alienígenas quando leêm meu blog não os culpo, eu me sinto alienígena nessa cidade estranha. 


Na foto: Dinho, eu, Javã, Dieni, Mary, Edu e Breno

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Retorno

Por Andrius Luiz


Depois de seis meses afastado, retorno ao blog com grande dificuldade. Mal comecei e as dificuldades começaram, não sei sobre o que vou escrever. Eu queria marcar o meu retorno com um texto muito bem escrito contando algo extraordinário que me aconteceu. Durante esse tempo aconteceram diversas coisas interessantes, mas eu achava que não eram dignas de ser relatado no texto de retorno. Quanto mais o tempo passava, mais o novo tema ganhava responsabilidade.


Enquanto o novo tema ganhava mais responsabilidade acontecia outro fenômeno, minha habilidade escrita decaía, minha ironia perdia o charme e as palavras me faltavam como um.... (me faltou a palavra agora).


Uma atitude teve que ser tomada, não há mais tempo para adiar, é hoje, sem nada de espetacular para relatar, é hoje que tentarei relembrar a senha do blog e colarei esse texto frio. Ficará ele ali, marcando um retorno sem grandes alardes, não sei se alguém além de mim irá ler. Depois que eu reler o texto e achar vários erros de português e não me dar o trabalho de arrumar, será que terei a honra de ter um leitor para descobrir os erros?


Para que não digam que meu texto não houve nenhum conteúdo relevante... Hoje faltei à aula para ficar tocando Los Hermanos e Belchior e para chorar de saudades das pessoas de Criciúma e também do Criciúma. Fazia muito tempo que não tocava, quanto a chorar, é uma rotina para mim, ontem mesmo pratiquei assistindo o filme do E.T. Tocar, chorar e escrever, valeu a pena ter faltado a aula de lógica, me sinto mais vivo! Dormirei mais leve, mas antes disso... Qual é a senha do blog mesmo?

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Yosakoi Soran Street Fest 2

Neste fim de semana os japinhas de Curitiba se reuniram na rua Cândido de Abreu e na praça Nossa Senhora da Salete para realizar o segundo Yosakoi Soran Street Fest.

Meias coloridas, saias xadrez, toquinhas de orelhas, fantasias, espadas, Pokémon`s, e muuuita maquiagem também marcaram presença nos milhares de jovens que passaram por lá. Por toda extensão da praça podia-se ver metaleiros, emo`s, cult`s e outras tribos sentados com seus violões ou andando com suas plaquinhas de "free hugs", "free kiss" ou ate mesmo de "vendemos idéias para suas plaquinhas".
Mas apesar do clima Tokyo-moderno, muitas famílias e crianças apareceram para conferir as belas apresentações e a boa comida japonesas. Ha! E para comprar toquinhas de orelhas ou para aprender a ler 200 páginas em 20 minutos e absorver todo o conteúdo.
Juntamente com a festividade foi realizado também o Hana Matsuri (Festival das flores), o tradicional Natal budista.

As apresentações aconteceram no domingo, dia 11. Destaque para o grupo Sansey, de Londrina, que fez um belíssimo espetáculo.

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Pára Eduardo!

Por Adrieli Cancelier

Eu não lembro o que a gente estava comendo, não era lanche, nem refil do Burguer King.
Estávamos conversando sobre os nossos planos malignos de evolução milionária, envolvendo galinhas de três cabeças ou vacas amarelas, quando de repente eu vi uma senhora loira de uns 60 anos eufórica correndo pela praça de alimentação do shopping. Ela gritava:
    -Pára Eduardo! Pára Eduardo! Pára Eduardo!
Logo percebemos que ela corria atrás de um senhor igualmente branco e aparentemente mais novo. Ele corria trotando com os braços semi-levantados e devagar, mas ainda assim a senhora não conseguia alcançá-lo.
Atrás deles um segurança de terno preto e um walktalk na mão esquerda corria com um pouco mais de velocidade.
O Andrius me olhou assustado e perguntou o que estava acontecendo. E eu com o coração cheio de pena respondi:
    -Coitado. O homem é doente.
O Andrius então já se preparava para levantar e segurar o pobre homem doente que estava fugindo daquela senhora. Num ato de heroísmo ele gritaria:
    -Peguei!
E todos ficariam felizes e satisfeitos.
Mas antes que os movimentos do Andrius pudessem significar que ele estava levantando da cadeira, o segurança que já havia ultrapassado os dois senhores segurou um menino pequeno que surgiu entre as mesas da praça de alimentação e o devolveu a vó eufórica.
Percebemos então que o Eduardo era na verdade o menino pequeno, e o senhor branco (que não era doente) e a senhora eufórica estavam tentando pegar o garotinho fugitivo.
Com um sorriso o menino subiu no colo da vó e eu acho que pude escutar o que ele estava pensando:
    -Eu quase consegui!

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Ráu Shengi iong

Por Andrius Luiz

Foi numa manhã que acordei na casa da Adrieli que a história aconteceu. Levantei cedo do colchão no chão da sala, lavei o rosto, peguei minhas coisas, despedi-me do meu amorzinho que me respondeu com alguns resmungos incompreensivos, disse que também a amava (acho que o resmungo significava um “Eu te amo”) e fui embora.

Eu tinha uma entrevista de emprego pela manhã e dessa vez não queria ficar a manhã inteira de barriga vazia, fui a uma lanchonete cheia de rostos orientais e fui atendido pela única pessoa com um rosto ocidental que perguntou o que eu queria, depois de ler o quadro na parede onde dizia: “x-salada: 2,30” não tive dúvida de que era isso, um x-salada curitibano com pão pequeno e bordas secas, hambúrguer pronto tão pequeno no diâmetro quanto na espessura, uma folha de alface, algumas rodelas de tomate e se eu tivesse sorte viria com uma fatia fina de queijo.

Fiquei frustrado após meu pedido ser recusado, eles não queriam ligar a chapa porque era muito cedo, ainda era um pouco antes das 9h. Tive que me contentar com o “salgado mais refresco: 1,30”.

Saboreando minha coxinha e um copinho plástico com suco de pacotinho vejo um sujeito entrando sozinho, sentando e pedindo um “litrão”. Fiquei curioso, o que será que viria? Um litro de leite? Um litro de café? Mas o que chega foi um litro de Skol acompanhado com um pedido de desculpas:
- Desculpe, mas eu não tinha nenhuma garrafa gelada, elas chegaram quase agora e ainda não deu tempo de gelar.
-Não tem problema, traz um copo com gelo.

Nesse momento já deveria ser 9h da manhã, muito cedo para ligar a chapa, mas não tão cedo para tomar um litro de cerveja com gelo. Com gelo! Isso mesmo, com gelo! Não existe nenhuma hora, em nenhum lugar, sob nenhuma circunstância que se pode tomar cerveja com gelo, mas ele tomou.

- Meu dentista era as 9h, mas fui lá e ele me passou para as 10h, vou ficar sem fazer nada até lá.
Não sei para quem ele disse essa frase, se foi para alguém na lanchonete ou se foi para um espírito maligno que o atormenta e lhe obriga a tomar cerveja com gelo.

Mas foi ao pagar a conta que me aconteceu o fato mais estranho, parei em frente ao caixa e uma mulher me disse:
- Ráu Shengi iong tong ping e pong ing Ang shoin ning foing iong ion

As pessoas ainda dizem que eu tenho problema de dicção, é porque elas não conhecem essa mulher.
- O que?!
- Ráu Shengi iong tong ping e pong ing Ang shoin ning foing iong ion

Será que o espírito maligno da cerveja com gelo que atormentava o pobre homem invadiu o corpo dessa mulher e me lança pragas na língua secreta dos espíritos malignos?
- O que?!
- Ráu Shengi iong tong ping e pong ing Ang shoin ning foing iong ion

Claro! Essa mulher deve ser uma japonesa de verdade que não sabe falar português, dizem que aqui em Curitiba são tantos.
- O que?!
- Ráu Shengi iong tong ping e pong ing Ang shoin ning foing iong íon

Se ela fosse uma japonesa mesmo porque ela teria saído do Japão e vindo para o Brasil? Ora! Lá deve ter celular com GPS, câmera de 15 MP, rádio AM/FM, TV com mais de cem canais em alta definição e muito mais por menos de US$ 10. Então porque ela trocaria isso pelo Brasil?
- O que?
- Ráu Shengi iong tong ping e pong ing Ang shoin ning foing iong ion

A não ser que ela estivesse cansada de tanto assistir desenhos japoneses, eu que moro no Brasil e passa desenhos japonês só de vez em quando já estou cansado.
- O que?!
- Ráu Shengi iong tong ping e pong ing Ang shoin ning foing iong íon

Mas em algum canal em alta definição do seu celular deveria passar Pokémon, eu não me cansaria de assistir Pokémon.
- O que?!
- Ráu Shengi iong tong ping e pong ing Ang shoin ning foing iong íon

A não ser que ela não seja japonesa, mas sim uma chinesa fugindo do governo comunista e ditador porque ela lutava pela independência do Tibet.
- O que?!
- Ráu Shengi iong tong ping e pong ing Ang shoin ning foing iong ion

Deve ser chinesa, mas saber disso não ajuda em nada na comunicação para que eu possa pagar a conta.
- O que?
- Ráu Shengi iong tong ping e pong ing Ang shoin ning foing iong ion

Já sei! vou fazer mímica, mas não vai pegar bem eu fazer mímica das palavras: coxinha de galinha e refresco.
- Deu R$ 1,30! – Disse para a chinesa a mulher ocidental no fundo da lanchonete.
Depois de longos minutos de diálogos produtivo com a atendente chinesa pude ir embora, dei uma olhada para a outra mesa e ainda estava o homem agarrado com seu litrão, nessa altura de tempo os gelos já estavam derretidos enxaguando a cerveja.
Com os pés na rua olhei bem para minha nova amiga, a chinesa, vi no seu olhar todo o sofrimento causado pelo governo chinês e gritei:
- Free Tibet!

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Onde vivem os monstros

Por Adrieli Cancelier

É uma cidade tão grande e maluca que quando a gente de repente pára (sem a nova reforma ortográfica) tudo parece meio melancólico. Às vezes dá vontade de pegar um barco a velas e ir navegando até o mundo tranquilo e desorganizado dos monstros e descobrir que na verdade eles são bem legais.
Mas aqui até mesmo as nossas lágrimas soam engraçado.
Andamos quilômetros esses dias até o parque São Lourenço, justo num dia muito quente em qual provavelmente os mosquitos estavam com muita sede e tomaram um litro do meu sangue (o quilo que eu havia engordado com muito esforço).

Durante o caminho ficamos procurando o tesouro escondido no Bosque do Papa João Paulo II, descobrimos que ele está em algum lugar alto onde se encontra uma luz eterna e que O onipotente está neste lugar. Descobrimos também que o tesouro escondido é muito muito grande. Tenho esperanças de encontrá-lo algum dia.
No passeio eu vi também uma coisa que eu podia jurar que Criciúma tinha muito mais: borboletas. Mas não foram duas borboletas, nem três. Foram umas 30 borboletas grandes e alaranjadas, todas juntas num canteiro de flores ao sol. Lindo. Parece até a gruta de Criciúma.

 E por falar em Criciúma, eu quase ia esquecendo. Amanhã no Ventuno Pub vai rolar showzinho, divirtam-se por mim. E em Curitiba amanhã tem CarnaRock e eu vou de CEC, afinal meu timão vem me dando um pouco mais de alegria ultimamente.

E depois de deitarmos sobre a grama do São Lourenço, tomarmos sorvete, ver as crianças brincando, os patos, os peixes e as capivaras nadando no lago voltamos pra casa sob aquele sol escaldante e chato que até me dava saudades do Rincão. E apesar de tudo até quem nos via lendo jornal na fila do x burguer sabia que estávamos felizes.




Mas quando o sol foi embora a gente sentiu por algum tempo como se todos os nossos dentes de leite tivessem caído (hiato) e agora precisávamos tomar cuidado com os permanentes. Quase nos esquecemos das lojas de brinquedo e do Drake e do Jhosh. Então resolvemos ir ao cinema do Muller, assistir a um filme de criança e rir até doer a barriga. E acho que só as crianças conseguem rir até doer a barriga com esse filme. "Onde vivem os monstros".

Chegamos em casa tarde e felizes, cheguei a uma conclusão: relógio que atrasa, não adianta.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Notícias meramente pessoais

Por Adrieli Cancelier

Tenho escutado com ainda mais frequência a preocupação dos familiares, amigos e afins, principalmente depois do post sobre o quarto do Harry Potter. Saibam que estamos bem, o x salada aqui é R$2, portanto não passamos fome e se o quarto estiver pegando fogo a gente pode dormir nas esculturas do Oscar Niemeyer. Acho até que meus cabelos estão compridos como nunca e minhas pernas estão grossas como nunca, mas isso porque não tenho dinheiro pra cortar o cabelo e os mosquitos atacaram as minhas pernas durante um passeio ao parque São Lourenço.
Não. Brincadeira. Está tudo bem mesmo, estamos com boas oportunidades de crescer e apesar do medo estamos muito felizes aqui. E além do mais estamos comendo muito bem os super banquetes que eu faço no almoço. Hoje tem arroz, feijão, carne de panela e alguma receita da Ana Maria.

Obrigada pela preocupação, pela saudade e pela vontade que me deixaram de ir ver o Pouca Vogal.